Israel lança novos ataques no sul do Líbano e acusa Hezbollah de quebrar cessar-fogo
Tel Aviv ordenou evacuação em cidades libanesas e realizou bombardeios nesta sexta-feira, acusando o Hezbollah de violar o acordo de trégua firmado recentemente.
O Exército israelense lançou nesta sexta-feira (5) uma nova onda de ataques aéreos contra alvos no sul do Líbano, após acusar o grupo Hezbollah de descumprir os termos do cessar-fogo estabelecido nas últimas semanas. As Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram ordens de evacuação para moradores de diversas localidades na região fronteiriça, elevando a tensão em uma área que já viveu intensos confrontos nos últimos meses.
De acordo com autoridades israelenses, a ofensiva foi motivada por ações consideradas hostis do Hezbollah, que, segundo Tel Aviv, teria violado o acordo ao tentar se reposicionar militarmente perto da fronteira. 'Não permitiremos que o Hezbollah restabeleça sua presença armada na região sul do Líbano. Qualquer violação será respondida com força', declarou um porta-voz militar israelense.
O Hezbollah, por sua vez, negou as acusações e classificou os bombardeios como uma 'escalada perigosa' por parte de Israel. O grupo libanês afirmou que continua comprometido com a trégua, mas advertiu que 'responderá com todos os meios disponíveis' caso os ataques persistam. A região já havia registrado uma calma relativa nas últimas semanas após mediação internacional.
A população civil do sul do Líbano vive momentos de pânico e deslocamento forçado. Moradores de cidades como Naqoura, Tayr Harfa e Alma al-Shaab receberam avisos para deixar suas casas imediatamente. Organizações humanitárias alertam para uma nova crise de refugiados na região, que já conta com dezenas de milhares de deslocados internos desde o início dos confrontos.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a retomada das hostilidades. A ONU, por meio da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), pediu moderação a ambas as partes e convocou uma reunião de emergência para discutir a situação. Os Estados Unidos e a União Europeia também emitiram notas pedindo o fim imediato das agressões e o retorno à mesa de negociações.
Analistas internacionais avaliam que o novo ciclo de violência pode comprometer definitivamente o frágil acordo de cessar-fogo mediado por potências ocidentais nos últimos meses. O cenário é particularmente delicado em um momento em que o Oriente Médio vive múltiplos focos de tensão, envolvendo também a Faixa de Gaza e as relações entre Israel e o Irã.
Especialistas apontam que a retomada dos confrontos na fronteira norte de Israel pode forçar o governo de Benjamin Netanyahu a reavaliar sua estratégia militar, em meio a pressões internas e externas. Enquanto isso, a população civil de ambos os lados da fronteira segue como a principal vítima de um conflito que parece não ter solução à vista.