Busca por serviços de saúde mental no SUS cresce quase 140% nos últimos cinco anos
Ministério da Saúde registra aumento expressivo na procura por atendimentos de saúde mental na rede pública, com alta de quase 140% entre 2021 e 2026.
O Ministério da Saúde divulgou dados que apontam um crescimento de quase 140% na procura por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos cinco anos. O levantamento, que considera o período entre 2021 e 2026, reflete uma mudança significativa no comportamento da população brasileira em relação ao cuidado com a saúde emocional e psiquiátrica.
Especialistas apontam que o aumento pode estar relacionado a múltiplos fatores, entre eles os impactos psicológicos da pandemia de Covid-19, que deixou marcas profundas na saúde mental da população. Ansiedade, depressão e síndrome do pânico estão entre os transtornos mais relatados nos atendimentos realizados nas unidades básicas de saúde, CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e hospitais públicos de todo o país.
Outro fator que contribuiu para esse crescimento foi a ampliação do acesso a serviços de telepsicologia e telepsiquiatria durante e após a pandemia. Com a regulamentação da telessaúde, muitos pacientes que antes enfrentavam barreiras geográficas ou sociais para buscar ajuda passaram a ter acesso remoto a profissionais de saúde mental, facilitando o acolhimento e o início de tratamentos.
O governo federal também tem investido na expansão da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com a criação de novos CAPS e a contratação de profissionais especializados. Segundo o Ministério da Saúde, a meta é garantir que 100% dos municípios brasileiros tenham ao menos um serviço de saúde mental disponível na rede pública até o final de 2027.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que o aumento da demanda ainda supera a capacidade de atendimento em várias regiões do país. Filas de espera para consultas psiquiátricas e psicoterapias continuam sendo um desafio, especialmente em cidades de médio e grande porte. Organizações da sociedade civil defendem um aporte maior de recursos federais para a área.
O levantamento do Ministério da Saúde reforça a importância de políticas públicas contínuas voltadas à saúde mental, incluindo campanhas de conscientização, combate ao estigma e fortalecimento da atenção primária. A expectativa é que os números sigam crescendo à medida que a população se conscientiza da importância de cuidar da mente com a mesma seriedade que cuida do corpo.