Lula anuncia carta a Trump para rebater tarifaço e reafirma defesa da soberania nacional
Em meio à escalada comercial com os Estados Unidos, presidente Lula afirmou que enviará uma carta ao presidente Donald Trump para contestar as novas tarifas de 12,5% propostas contra produtos brasileiros, classificando a medida como injusta e desproporcional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (4) que enviará uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para contestar as novas tarifas de 12,5% propostas contra produtos brasileiros. A medida norte-americana foi anunciada sob a justificativa de suposto trabalho forçado no Brasil, o que gerou forte reação do governo brasileiro.
Em reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula foi incisivo ao orientar sua equipe: 'Não aceitemos tratamento dado pelos EUA. Vendam para quem quiser'. O presidente ainda determinou que o Itamaraty prepare uma resposta à altura, avaliando o uso da Lei da Reciprocidade como instrumento de retaliação comercial.
A tensão bilateral se intensifica em um ano eleitoral no Brasil. Cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o tarifaço de Trump pode fortalecer o discurso de soberania de Lula e, ao mesmo tempo, impulsionar candidaturas de oposição, como a do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que já responsabilizou a política externa do atual governo pela crise.
No Congresso, a oposição também reagiu. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) culpou Lula pelas novas tarifas e afirmou que poderia negociar diretamente com Trump. 'O Brasil não pode ser tratado como colônia. Se o governo Lula não consegue dialogar, a oposição tem capilaridade internacional para buscar soluções', declarou Flávio.
Do lado governista, a orientação é de cautela e firmeza. Fontes do Itamaraty ouvidas pela Folha de S.Paulo afirmaram que o Brasil respondeu 'na mesma moeda' ao revogar o visto de um conselheiro americano, e que não acreditam em desgaste irreversível com a Casa Branca. A estratégia é mostrar que o país não baixará a cabeça, mas sem romper laços diplomáticos.
A inclusão do Brasil na chamada 'lista suja' de trabalho forçado pelos EUA foi veementemente rejeitada pelo governo federal. Dados oficiais mostram que o Brasil possui uma das legislações mais rigorosas do mundo contra o trabalho escravo, com fiscalizações constantes e penas severas. 'É uma acusação infundada que visa apenas justificar protecionismo comercial', afirmou uma fonte do Ministério do Trabalho.
Especialistas em comércio exterior alertam que uma guerra tarifária pode prejudicar ambos os países. O Brasil é um dos principais fornecedores de alimentos, minério de ferro e aeronaves para os EUA, enquanto o mercado americano é o segundo maior destino das exportações brasileiras. Uma escalada poderia afetar setores como o agronegócio e a indústria siderúrgica.
O presidente Lula também confirmou sua ida à cúpula do G7, que ocorrerá em junho, onde pretende levar o tema ao centro do debate internacional. 'Vou colocar ordem na casa e mostrar que o Brasil não aceita ser tratado de forma subalterna por ninguém', concluiu o presidente, em tom de desafio diplomático.