Brasil ameaça retaliar EUA com Lei da Reciprocidade após tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros
O governo brasileiro sinaliza que pode aplicar a Lei da Reciprocidade depois que os Estados Unidos propuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil, sob alegação de trabalho forçado. A medida pode escalar a guerra comercial entre os dois países.
Os Estados Unidos anunciaram a proposta de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, como parte de uma investigação comercial que alega práticas de trabalho forçado no Brasil. A medida, revelada pelo Departamento de Comércio americano, representa mais um capítulo na tensão comercial entre os dois países e já provocou reações imediatas do governo Lula.
Em resposta, o Palácio do Planalto sinalizou que pode recorrer à Lei da Reciprocidade, mecanismo jurídico que permite ao Brasil aplicar sanções equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais desproporcionais. Fontes do Itamaraty afirmam que a medida está sendo estudada e que o governo não pretende recuar diante do que classifica como 'unilateralismo americano'.
Durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto na última quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus ministros a não aceitarem passivamente a taxação. 'Vende para quem quiser. Não vamos nos curvar a ameaças', teria dito Lula, segundo relatos de participantes da reunião. A fala do presidente reflete a insatisfação com a postura da administração Trump.
Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também entrou no debate e declarou ter enviado uma carta à Casa Branca pedindo que os EUA não taxem produtos brasileiros. Em tom crítico ao governo Lula, Flávio afirmou que a política externa brasileira tem isolado o país e prejudicado as relações comerciais com os Estados Unidos.
A proposta americana ocorre em um momento delicado para a economia brasileira, que já enfrenta desafios internos como a Selic em 14,5% e a inflação pressionada. Analistas avaliam que a imposição da tarifa pode afetar setores estratégicos como o agronegócio e a indústria siderúrgica, além de gerar impactos cambiais significativos.
Especialistas em comércio internacional apontam que a Lei da Reciprocidade brasileira, sancionada em 2023, dá ao governo respaldo jurídico para taxar produtos americanos nas mesmas proporções. No entanto, alertam que uma escalada retaliatória pode prejudicar ambos os lados, especialmente em um ano eleitoral tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
O Itamaraty já informou que buscará uma solução diplomática antes de avançar com qualquer retaliação comercial, mas deixou claro que não abrirá mão de defender os interesses nacionais. Enquanto isso, o mercado financeiro reagiu com cautela: o Ibovespa subiu mais de 1% e o dólar recuou para R$ 5, demonstrando que investidores ainda avaliam os desdobramentos do conflito.
A crise comercial entre Brasil e EUA promete dominar a agenda política nas próximas semanas, com desdobramentos que podem influenciar diretamente as eleições presidenciais de outubro. Parlamentares da oposição e da base aliada já se posicionaram, e o Congresso Nacional deve convocar audiências públicas para discutir o impacto das tarifas sobre a economia brasileira.