Gastos do governo Lula com viagens internacionais se aproximam de R$ 1 bilhão em 2026
Levantamento aponta que despesas com viagens internacionais do governo federal já ultrapassam R$ 980 milhões, com nova comitiva presidencial à Europa elevando a conta. Senadores de oposição criticam os valores e pedem mais transparência.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está prestes a atingir a marca de R$ 1 bilhão em gastos com viagens internacionais apenas em 2026, segundo levantamento do Portal da Transparência. A cifra inclui passagens aéreas, hospedagens, diárias e despesas operacionais das comitivas presidenciais e ministeriais que acompanham o chefe do Executivo em seus deslocamentos pelo exterior.
Dados oficiais compilados por órgãos de controle mostram que, somente entre os meses de janeiro e maio deste ano, os gastos com viagens da Presidência da República e ministérios somaram mais de R$ 980 milhões. O valor já supera em 35% todo o orçamento destinado a viagens internacionais no ano anterior.
A última viagem de Lula, que incluiu passagens por Espanha, Alemanha e Portugal entre os dias 16 e 21 de abril, consumiu aproximadamente R$ 233 milhões dos cofres públicos, conforme reportagem do site Pleno News. A comitiva presidencial contou com dezenas de assessores, ministros e seguranças, gerando críticas de parlamentares da oposição.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) utilizou a tribuna do Senado Federal no último dia 19 de maio para condenar os valores. Em pronunciamento, Girão afirmou que 'o brasileiro está pagando a conta de viagens que muitas vezes não trazem retorno concreto para o país' e pediu a criação de uma comissão externa para fiscalizar os gastos.
Especialistas em contas públicas também questionam a escalada de despesas. Para o economista Paulo Guedes, ex-ministro da Economia citado em análises recentes, o governo deveria priorizar investimentos internos em vez de viagens com comitivas numerosas. 'Cada viagem internacional custa milhões e o dinheiro poderia ser aplicado em saúde, educação ou infraestrutura', argumentam analistas.
Em resposta às críticas, a Secretaria de Comunicação da Presidência defendeu que as viagens são necessárias para a política externa brasileira, para atrair investimentos e firmar acordos comerciais. 'O Brasil voltou ao cenário internacional e isso exige presença do presidente em eventos diplomáticos e reuniões bilaterais', diz nota oficial.
O debate, no entanto, tende a se intensificar nos próximos meses, especialmente porque o orçamento de 2026 já prevê novas missões internacionais. Parlamentares de oposição já anunciaram que vão requerer audiências públicas com ministros para detalhar rubricas e justificar os valores gastos com cada deslocamento.
A situação acendeu um alerta nos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que estuda abrir um procedimento para auditar as despesas com viagens presidenciais e verificar se há conformidade com a legislação orçamentária.
Enquanto isso, a população acompanha o noticiário em meio a promessas de ajuste fiscal. Com o país registrando déficit nas contas públicas, os gastos com viagens se tornaram um dos temas mais sensíveis do debate político nacional.