Financiamento feminino no Brasil: opções além dos bancos tradicionais
Microcrédito, fundos para mulheres, editais e fintechs ampliam o acesso ao capital para empreendedoras brasileiras.
O aumento do empreendedorismo feminino no Brasil tem impulsionado a busca por linhas de financiamento mais inclusivas, que permitam às mulheres acessar capital sem depender exclusivamente dos grandes bancos.
Nos últimos anos, programas públicos e iniciativas privadas passaram a mirar a redução das barreiras históricas enfrentadas por mulheres na captação de recursos. Entre elas estão a ausência de garantias, o menor acesso a redes de investimento e a dificuldade de comprovação financeira em negócios em fase inicial.
Segundo o Sebrae, cerca de 34% dos micro e pequenos empreendedores no país são mulheres, e grande parte delas utiliza recursos próprios para começar o negócio. Estudo da Associação Brasileira de Startups indica que apenas 4,7% das startups são lideradas exclusivamente por mulheres, reflexo também da baixa participação feminina em rodadas de investimento.
Para a economista Ana Carla Abrão, membro do conselho de uma das maiores fintechs do país, “a ampliação de linhas alternativas de crédito é essencial para equilibrar o acesso ao capital e estimular o crescimento de negócios liderados por mulheres”.
Já a investidora-anjo Camila Farani afirma que “fundos dedicados a diversidade têm potencial de destravar inovação e competitividade”.
As novas modalidades ampliam o alcance para empreendedoras periféricas, mães solo e mulheres que atuam em negócios de impacto social. Microcrédito produtivo, editais municipais, fundos de venture capital com tese de diversidade e plataformas de financiamento coletivo surgem como alternativas de entrada mais acessível.
Apesar dos avanços, especialistas destacam que a oferta ainda é insuficiente para atender a demanda nacional. Organizações do setor afirmam que parte das empreendedoras desconhece as alternativas disponíveis ou encontra dificuldades burocráticas para aderir a programas públicos.
O avanço de iniciativas voltadas ao financiamento feminino aponta para um cenário mais plural, no qual diferentes modelos de crédito podem ampliar as oportunidades e reduzir desigualdades históricas no ecossistema empreendedor.
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