Principais mudanças introduzidas com o iOS 14 e ATT

O lançamento do iOS 14 (especialmente a partir da versão 14.5, em 2021) trouxe uma das mudanças mais impactantes na história recente da publicidade digital, principalmente para quem anuncia no Meta Ads (Facebook e Instagram).

Fev 24, 2026 - 19:51
Principais mudanças introduzidas com o iOS 14 e ATT

A Apple introduziu o recurso App Tracking Transparency (ATT), que obriga os aplicativos a pedirem permissão explícita dos usuários para rastrear suas atividades em outros apps e sites.

Na prática, a maioria dos usuários de iPhone optou por negar esse rastreamento — com taxas de opt-out frequentemente acima de 75-90% em vários mercados, inclusive nos EUA. Isso quebrou o modelo de rastreamento que o Meta usava para conectar cliques em anúncios a conversões reais.

Principais mudanças introduzidas com o iOS 14 e ATT

  • Fim do rastreamento automático via IDFA — Antes, o identificador único do dispositivo permitia um acompanhamento preciso entre apps e sites. Agora, sem permissão, esse link se perde.
  • Pixel do Meta perdeu precisão — O pixel (ferramenta de rastreamento no site) não consegue mais identificar com exatidão quem clicou no anúncio e depois comprou, especialmente em dispositivos iOS.
  • Conversões subnotificadas — Muitas vendas reais simplesmente não aparecem no painel do Meta, porque o sistema não consegue atribuí-las ao anúncio.
  • ROAS (Return on Ad Spend) aparenta ser menor — O retorno sobre investimento mostrado no Gerenciador de Anúncios fica artificialmente baixo, mesmo que as campanhas estejam performando bem na vida real. Estudos e relatos mostram quedas de 30-40% no ROAS reportado em muitos casos.
  • Limitação de eventos — O Meta passou a permitir no máximo 8 eventos de conversão por domínio para medição agregada (Aggregated Event Measurement). Isso força os anunciantes a priorizar os eventos mais importantes (ex.: compra > adicionar ao carrinho > iniciar checkout).
  • Dados com atraso e modelagem estatística — O relatório não é mais 100% direto e determinístico. O Meta usa modelagem probabilística para estimar conversões perdidas, o que gera atrasos (às vezes de até 3 dias) e números menos exatos.

Mesmo em 2026, anos após o lançamento, essas mudanças continuam em vigor e afetam fortemente o tráfego pago de iOS (que representa uma parcela significativa dos usuários no Brasil e no mundo). Atualizações posteriores do iOS reforçaram ainda mais as restrições de privacidade, mantendo o impacto vivo.

Impacto real nos negócios que investem em tráfego pago

O painel do Meta não reflete mais a realidade completa das vendas geradas pelos anúncios. Isso cria problemas sérios:

  • Dificuldade para otimizar campanhas (o algoritmo do Meta aprende mais devagar com menos dados).
  • Aumento aparente no custo por aquisição (CAC).
  • Decisões baseadas em dados incompletos, levando a cortes de verba em campanhas que na verdade estão lucrativas.

Muitos anunciantes viram quedas drásticas no número de conversões reportadas, mesmo sem alterar criativos ou segmentação.

O que fazer para mitigar o problema?

A saída mais eficaz hoje em dia é não depender 100% do pixel browser-side. As melhores práticas incluem:

  • Implementar Conversions API (CAPI) — Envio server-side direto do seu servidor para o Meta, contornando bloqueios do navegador e do iOS.
  • Usar rastreamento próprio server-side (via ferramentas como Google Tag Manager server-side, ou plataformas especializadas).
  • Combinar UTMs + backend — Registrar cliques e parâmetros no seu sistema interno e cruzar com vendas reais.
  • Priorizar first-party data — Coletar dados diretamente do seu site/app com consentimento do usuário.
  • Usar modelagens avançadas e ferramentas de atribuição externas para ter uma visão mais realista do desempenho.

Em resumo: quem leva tráfego pago a sério em 2026 precisa obrigatoriamente de um rastreamento híbrido ou server-side. O tempo do pixel sozinho acabou — quem não se adaptou continua vendo um ROAS "quebrado" no Meta, enquanto o caixa real mostra outra história.

Se você roda anúncios no Meta e depende de iOS, vale a pena revisar sua stack de tracking agora. A privacidade veio para ficar, e o jogo mudou de vez.

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glaucomartins Glauco Martins, 36 anos, é um profissional de Tecnologia da Informação com uma trajetória marcada por iniciativa, visão prática e respeito às raízes do desenvolvimento tecnológico. Formado em TI, iniciou sua jornada cedo — aos 14 anos já programava, e aos 16 era dono da própria lan house. Foi ali, na prática do dia a dia, que nasceu seu interesse mais profundo pela área de tecnologia. Com apenas 19 para 20 anos, já formado, ingressou no serviço público, trabalhando para o Governo do Espírito Santo. Participou da homologação e testes de sistemas para órgãos como a Polícia Civil, Correios, Prefeitura de Cariacica e outros. Dentre suas realizações, destacam-se a implantação de um sistema de controle patrimonial e a criação de um gerenciador de máquinas voltado para o uso cidadão na unidade do Faça Fácil em Cariacica – ES. Depois de adquirir sólida experiência no setor público, Glauco tomou uma decisão ousada: pediu demissão para fundar seu próprio negócio. No início, enfrentou erros, parcerias que não deram certo e dificuldades típicas de quem aprende na marra. Mas foi exatamente esse processo — mais duro que qualquer faculdade — que o moldou como empreendedor. Hoje, com uma empresa de tecnologia bem estruturada, Glauco fornece soluções completas: softwares de gestão, automações com inteligência artificial, integrações via API com qualquer sistema, além de VPS e serviços de hospedagem para clientes em vários estados do Brasil — e até do exterior, por um período. Entre seus projetos, destaca-se o Informe 365, um portal de notícias fruto direto de sua bagagem técnica e visão estratégica. Por meio dele, construiu uma rede sólida de contatos, parcerias e amizades que se estendem por anos. Glauco Martins representa o perfil do profissional que une técnica, experiência e coragem para construir algo duradouro — respeitando o passado, aprendendo com os tropeços e olhando para frente com os pés no chão.