Maternidade e empreendedorismo: como mulheres equilibram filhos e negócios com foco no crescimento

Para mais de dois terços das mulheres empreendedoras no Brasil, a maternidade traz desafios desde a gestão do tempo ao acúmulo de responsabilidades e exige estratégias de organização para garantir o crescimento do negócio sem sacrificar a vida familiar.

Maternidade e empreendedorismo: como mulheres equilibram filhos e negócios com foco no crescimento
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No Brasil, cerca de 67% a 73% das mulheres que empreendem são mães e muitas delas iniciam o negócio após a maternidade.

Essas mulheres enfrentam o desafio de conciliar os papéis de cuidadoras e empreendedoras, buscando não apenas sobreviver, mas crescer profissionalmente. O artigo examina como elas administram essa dupla jornada e o que funciona para equilibrar maternidade e empreendimento sem abrir mão do crescimento.

O aumento do empreendedorismo feminino no Brasil é notório: segundo levantamento de 2024 do SEBRAE, as mulheres representam parte significativa dos donos de negócio no país. Dentro desse universo, um grande contingente é composto por mulheres que também assumem a maternidade, o que coloca uma sobrecarga adicional ao dia a dia de quem empreende.

Há algumas décadas, a expectativa social e o mercado de trabalho formal ofereciam poucas alternativas de flexibilidade para mães que buscavam equilibrar carreira e cuidado familiar. Com o crescimento do empreendedorismo digital, do home office e de negócios próprios, muitas mulheres enxergaram no empreendedorismo uma chance de conciliar desejo profissional, autonomia financeira e maternidade. Esse cenário, porém, exige estrutura, planejamento e adaptação.

A pesquisa mais recente Instituto RME / Rede Mulher Empreendedora (2024) aponta que 73% das empreendedoras brasileiras têm filhos, e 37% delas são mães solo.

Estimativas do SEBRAE indicam que 67% das mulheres empreendedoras no país são mães.

A mesma pesquisa RME destaca que, entre as motivadoras do empreendedorismo feminino, a possibilidade de flexibilidade de horários e autonomia é frequentemente mencionada especialmente quando a maternidade está envolvida.

Apesar de alto índice de maternidade, muitas mães empreendedoras relatam sobrecarga: segundo a RME, cerca de metade não recebe apoio doméstico ou para o negócio o que evidencia a dupla jornada entre casa e empresa.

Segundo comunicado da RME, “desde 2016 nós fazemos essa pesquisa anualmente. Um ponto de destaque: 73% das empreendedoras são mães e mais de 68% afirmam que os filhos vieram antes dela ser empreendedora”.

Especialistas em empreendedorismo feminino frequentemente destacam que a maternidade motiva a busca por autonomia e flexibilidade, características que ecoam com o desejo de muitas mulheres de construir algo próprio sem abrir mão da presença familiar. (conforme dados SEBRAE 2024)

O fato de uma parcela expressiva de mulheres empreendedoras também ser mãe demonstra que o empreendedorismo tem assumido cada vez mais um papel central na redefinição da jornada profissional de muitas mulheres. Isso representa uma mudança estrutural no perfil da força de trabalho e no modo como negócios são conduzidos com mais flexibilidade e decisões pautadas em equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Para o mercado e a economia, a presença desses empreendimentos liderados por mães representa uma importante oportunidade de inclusão, geração de renda disruptiva e diversificação dos negócios. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de políticas públicas, serviços de apoio e infraestrutura, especialmente para mães solo, para que o empreendedorismo não seja sinônimo de sobrecarga, mas de crescimento com qualidade de vida.

Estratégias para conciliação: como mães empreendedoras encontram o equilíbrio

Com base em relatos de empreendedoras, estudos e boas práticas de gestão, algumas abordagens têm se mostrado eficazes:

·        Planejamento realista e priorização: definir metas claras e separadas para o negócio e para a vida pessoal; usar ferramentas de gestão de tempo e calendário.

·        Delegar ou terceirizar tarefas domésticas e operacionais do negócio: contar com apoio externo para cuidados com filhos, limpeza, administração ou produção, mesmo que parcial, reduz a sobrecarga e permite foco no essencial.

·        Uso de tecnologia e automação: estruturar processos com automações, ferramentas digitais (como gerenciamento de agenda, finanças, vendas online) para otimizar tempo e reduzir carga operacional.

·        Flexibilidade e adaptação de modelo de negócio: escolher modelos que permitam horários flexíveis, escalabilidade gradual, e trabalho remoto ou híbrido.

·        Rede de apoio e comunidade: conectar-se com outras mães empreendedoras, participar de grupos de troca de experiência, buscar mentoria. Isso gera suporte emocional e prático, além de abrir espaço para parcerias.

·        Separação clara entre horários de trabalho e tempo com a família: estabelecer limites por exemplo, definir “horário comercial” para o negócio e respeitar momentos de convivência familiar, garantindo bem-estar e sustentabilidade.

Essas práticas ajudam a transformar a dupla jornada em uma vantagem: mães com visão empreendedora tendem a desenvolver resiliência, alta capacidade de organização e empatia, atributos que podem diferenciar seus negócios no mercado.

Apesar dos dados positivos e das estratégias eficazes, os desafios persistem de forma concreta. A sobrecarga permanece elevada para muitas: a falta de apoio familiar ou social, dificuldade de acesso a capital e formalização, desigualdades de gênero e pressões por desempenho, tanto como mãe quanto como empreendedora, seguem presentes.

Além disso, embora existam iniciativas de apoio ao empreendedorismo feminino, como a Estratégia Elas Empreendem, a formalização dos negócios e o acesso a crédito ainda são entraves para muitas mulheres, especialmente mães solo, o que limita a escala e o crescimento sustentável.

Também pode haver efeito de exaustão: mesmo com organização e apoio, a combinação de múltiplas responsabilidades exige preparo psicológico e atenção à saúde mental o que nem sempre é discutido de forma aberta.

Conciliar maternidade e empreendedorismo é um desafio real mas também uma oportunidade de construir negócios com propósito, flexibilidade e autenticidade. Com planejamento, uso consciente de tecnologia, delegação e redes de apoio, mães empreendedoras podem transformar a sobrecarga em crescimento. A tendência é que, com o fortalecimento de políticas de apoio, mais mulheres encontrem no empreendedorismo um caminho viável e sustentável de realização pessoal e profissional.

Se a maternidade for vista não como um obstáculo, mas como parte da jornada com seus desafios e aprendizados, o futuro dos negócios liderados por mulheres pode ser ainda mais diverso, resiliente e inspirador.